Dia da Consciência Negra. Sou contra o feriado.

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zumbi-feriadoAntes de me xingarem nos comentários, trago uma reflexão sobre os propósitos originais de um feriado. No Natal, por exemplo, quando criado o própósito era permitir que os trabalhadores e estudantes tivessem um tempo para irem se encontrar com sua família e celebrarem juntos. Muitos não comemoram a razão cristã do Natal, mas mesmo assim se reúnem em família.

Instituir um dia com um tema é algo antigo e foi feito para que reservemos pelo menos 1 dia do ano para lembrar, comemorar, lamentar ou homenagear um evento, uma pessoa, um grupo, uma classe. O fato de alguns desses dias serem feriados oficiais – não ter expediente trabalhista ou escolar – são fruto (original, vamos lá) da necessidade de se ter um tempo reservado para essas homenagens. No Brasil, isso virou motivo de oba-oba, de emendar fins de semana, de “enforcar” sextas-feiras.

Agora voltando ao título do texto, me respondam: quantos de vocês, no dia de hoje, irão a eventos que celembram a consciência negra (seja lá o que isso queira dizer)? Quantos irão visitar museus da escravidão, participar de passeatas em protesto contra a discriminação e o preconceito (que até hoje é um câncer em nossa sociedade), ou fazer uma maratona de filmes com essa temática com a família, para ensinar aos seus filhos o quão ruim foi o período da escravidão? POUCOS! A maioria está aproveitando o feriado (em uns muitos municípios brasileiros) para descansar, ir à praia, ao cinema, coçar … whatever.

O que me dizem então da contradição que é considerar feriado para uma raça, contra a discriminação (sendo que já é discriminatório o próprio feriado) e não considerar para as outras tantas raças que formam esse país misturado que é o Brasil. Mas, claro, os negros foram escravizados, chicoteados, assassinados, roubados, humilhados e merecem esse dia como homenagem. O que me dizem então dos índios? Por que o Dia do Índio não é feriado?

Hoje é “ponto facultativo” (feriado disfarçado) em São Paulo, a cidade com maior número de negros do Brasil. Em Salvador, a cidade com a maior percentagem da população negra, a “Roma Negra” como dizem, não é. Lá é “dia de branco” (piada infame, que deve ter origem discriminatória). E depois baiano é preguiçoso. Sei.

O que eu quero dizer com isso tudo é o seguinte: sou totalmente à favor de termos dias comemorativos, de lamentação ou homenagem para raças, eventos, temas, pessoas, mas sou totalmente contra esses dias serem motivo para não se trabalhar. Nós temos muitos feriados e todos são desvirtuados, pouca gente leva realmente à sério o motivo do dia e quer saber apenas que “não tem trabalho” (nem no Dia do Trabalho, pois então). Se esses dias deixarem de ser “dia de folga”, as pessoas, aquelas que realmente se importam com o tema homenageado, continuarão fazendo seus eventos, passeatas, exposições, e os simpatizantes continuarão frequentando-os. Nenhuma diferença fará para o motivo do dia, mas fará uma diferença absurda para o desenvolvimento do país.

O que você acha?