Feriados de 2012 para São Paulo (e Brasil)

Planejamento é tudo

Quando você vem morar em São Paulo, acaba criando o costume – extremamente necessário – de se preparar para tudo, desde uma simples blusa de frio e um guarda-chuva SEMPRE a tira colo – mesmo estando um sol de rachar acompanhado de mais de 30ºC – até sair uma hora antes do que você normalmente sairia para aquela reunião super importante devido ao trânsito, atraso dos transportes públicos, ausência de táxi próximo, etc. e datas comemorativas e feriados, senão – é fato – você não vive.

Em datas comemorativas e feriados, isso tem um “peso” ainda maior.

Imagina que no dia dos namorados você resolve levar a(o) namorada(o) para um jantar todo especial em um restaurante legal, seguido de uma noite naquele motel que vocês sempre quiseram conhecer juntos e esperaram esse momento para irem e quando chegam no local (em ambos), não tem vaga? A noite que tinha tudo para ser incrível e memorável, termina em pizza e uma rapidinha no sofá da sala, só pra não passar batido.

Imagina que você está há um bom tempo sem saber o que é descanso e, por conta da correria do dia a dia, descobre – na terça-feira – que quinta-feira é feriado? Com muito custo, consegue convencer seu chefe a te deixar enforcar a sexta e decide viajar. Você não encontra mais vaga em hotel, não consegue comprar passagem do jeito que você quer ou sem passar pelo inferno que as rodoviárias viram nos dias próximos, não consegue alugar um carro, gasta HORAS em uma viagem que normalmente dura pouco mais de uma hora pro litoral por conta do trânsito caótico… enfim. Você termina o feriado ainda mais cansado e, dessa vez, com o copo de stress quase transbordando.

É pra evitar esses desgastes e te ajudar aproveitar ao máximo seu 2012 com muitos feriados prolongados, da forma mais tranquila possível – já que o mundo acaba em dezembro mesmo – que resolvi compartilhar com vocês a lista de datas comemorativas e feriados de São Paulo em 2012. Continuar lendo…

Dia da Consciência Negra. Sou contra o feriado.

zumbi-feriadoAntes de me xingarem nos comentários, trago uma reflexão sobre os propósitos originais de um feriado. No Natal, por exemplo, quando criado o própósito era permitir que os trabalhadores e estudantes tivessem um tempo para irem se encontrar com sua família e celebrarem juntos. Muitos não comemoram a razão cristã do Natal, mas mesmo assim se reúnem em família.

Instituir um dia com um tema é algo antigo e foi feito para que reservemos pelo menos 1 dia do ano para lembrar, comemorar, lamentar ou homenagear um evento, uma pessoa, um grupo, uma classe. O fato de alguns desses dias serem feriados oficiais – não ter expediente trabalhista ou escolar – são fruto (original, vamos lá) da necessidade de se ter um tempo reservado para essas homenagens. No Brasil, isso virou motivo de oba-oba, de emendar fins de semana, de “enforcar” sextas-feiras.

Agora voltando ao título do texto, me respondam: quantos de vocês, no dia de hoje, irão a eventos que celembram a consciência negra (seja lá o que isso queira dizer)? Quantos irão visitar museus da escravidão, participar de passeatas em protesto contra a discriminação e o preconceito (que até hoje é um câncer em nossa sociedade), ou fazer uma maratona de filmes com essa temática com a família, para ensinar aos seus filhos o quão ruim foi o período da escravidão? POUCOS! A maioria está aproveitando o feriado (em uns muitos municípios brasileiros) para descansar, ir à praia, ao cinema, coçar … whatever.

O que me dizem então da contradição que é considerar feriado para uma raça, contra a discriminação (sendo que já é discriminatório o próprio feriado) e não considerar para as outras tantas raças que formam esse país misturado que é o Brasil. Mas, claro, os negros foram escravizados, chicoteados, assassinados, roubados, humilhados e merecem esse dia como homenagem. O que me dizem então dos índios? Por que o Dia do Índio não é feriado?

Hoje é “ponto facultativo” (feriado disfarçado) em São Paulo, a cidade com maior número de negros do Brasil. Em Salvador, a cidade com a maior percentagem da população negra, a “Roma Negra” como dizem, não é. Lá é “dia de branco” (piada infame, que deve ter origem discriminatória). E depois baiano é preguiçoso. Sei.

O que eu quero dizer com isso tudo é o seguinte: sou totalmente à favor de termos dias comemorativos, de lamentação ou homenagem para raças, eventos, temas, pessoas, mas sou totalmente contra esses dias serem motivo para não se trabalhar. Nós temos muitos feriados e todos são desvirtuados, pouca gente leva realmente à sério o motivo do dia e quer saber apenas que “não tem trabalho” (nem no Dia do Trabalho, pois então). Se esses dias deixarem de ser “dia de folga”, as pessoas, aquelas que realmente se importam com o tema homenageado, continuarão fazendo seus eventos, passeatas, exposições, e os simpatizantes continuarão frequentando-os. Nenhuma diferença fará para o motivo do dia, mas fará uma diferença absurda para o desenvolvimento do país.

O que você acha?