Lei antifumo – mais polêmica em São Paulo

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Primeiro devo dizer que não sou um daqueles chatos que, só porque não vê razão para alguém fazer algo, é contra ou fica enchendo o saco dos outros para pararem. Já experimentei cigarro (provavelmente na idade que todos começam a fumar) e, como não vi vantagens (fede e gruda nos cabelos e mãos, dá gosto ruim na boca e não dá nenhum “barato”) simplesmente não me tornei um fumante. E se tivesse me tornado, seria um problema, já que sofro de rinite alérgica e a fumaça do cigarro me faz passar mal.

Segundo, é preciso dizer que respeito o direito de escolha do indivíduo e se alguém escolhe ser fumante, a única coisa que peço é o respeito de não fumar perto de mim, pelos motivos expressos acima e mais o direito de não ser fumante passivo. Óbvio que se eu estiver numa rodinha de fumantes, quem deve se retirar para não-fumar sou eu, certo? Democracia acima de tudo. Vence a maioria.

Lei Antifumo de São Paulo

A Lei Antifumo de São Paulo tem poucos dias e já está causando polêmica. Nesse caso, ao contrário da “lei antifretados“, eu concordo plenamente. A lei proíbe o fumo em locais de circulação ou permanência de pessoas, de caráter público (coletivo) e cercado “por qualquer um dos seus lados, com ou sem teto”. Isso significa que pode-se fumar em: sua própria casa, seu carro, seu quarto, na rua, na praia, no campo, etc. Não se pode fumar em: empresas, estações de trem, taxis, bares, shoppings, áreas comuns de condomínios, boates, etc. mesmo que não esteja coberto por um teto. As únicas exceções de ambientes coletivos fechados, onde se é permitido fumar, são: locais que, comprovadamente, se dediquem ao fumo (tabacarias, por exemplo) e cultos religiosos em que o fumo faça parte dos rituais (oi?)

Em Salvador, lei semelhante já existe há alguns anos, com a diferença de que o estebelecimento pode criar uma área reservada para seus clientes fumantes, isolada do ambiente coletivo e sem cobertura (teto). Diversos bares, empresas e boates criaram “fumódromos” para atender essa demanda, mas o respeito não é necessariamente uma característica muito forte nos brasileiros, certo? Leis são feitas para serem burladas, em nossa cabeça, e o ser humano ao lado é apenas mais um chato que quer me censurar por fumar meu cigarro em paz, sem incomodar ninguém. Bom senso zero.

Eu, como não-fumante, alérgico e sem vontade nenhuma de fumar passivamente, apoio a Lei do Bom Senso, que não precisa ser fiscalizada e implicar em multas, é baseada no respeito ao próximo e nas escolhas individuais. Enquanto essa lei não imperar por essas bandas, serei um incentivador das restrições e punições impostas a quem precisa ser lembrado e forçado a ter respeito e consideração pelo outro.

Foto: T.I.C under a clock movement no Flickr em CC