Dia da Consciência Negra. Sou contra o feriado.

por em 6 Comentários

zumbi-feriadoAntes de me xingarem nos comentários, trago uma reflexão sobre os propósitos originais de um feriado. No Natal, por exemplo, quando criado o própósito era permitir que os trabalhadores e estudantes tivessem um tempo para irem se encontrar com sua família e celebrarem juntos. Muitos não comemoram a razão cristã do Natal, mas mesmo assim se reúnem em família.

Instituir um dia com um tema é algo antigo e foi feito para que reservemos pelo menos 1 dia do ano para lembrar, comemorar, lamentar ou homenagear um evento, uma pessoa, um grupo, uma classe. O fato de alguns desses dias serem feriados oficiais – não ter expediente trabalhista ou escolar – são fruto (original, vamos lá) da necessidade de se ter um tempo reservado para essas homenagens. No Brasil, isso virou motivo de oba-oba, de emendar fins de semana, de “enforcar” sextas-feiras.

Agora voltando ao título do texto, me respondam: quantos de vocês, no dia de hoje, irão a eventos que celembram a consciência negra (seja lá o que isso queira dizer)? Quantos irão visitar museus da escravidão, participar de passeatas em protesto contra a discriminação e o preconceito (que até hoje é um câncer em nossa sociedade), ou fazer uma maratona de filmes com essa temática com a família, para ensinar aos seus filhos o quão ruim foi o período da escravidão? POUCOS! A maioria está aproveitando o feriado (em uns muitos municípios brasileiros) para descansar, ir à praia, ao cinema, coçar … whatever.

O que me dizem então da contradição que é considerar feriado para uma raça, contra a discriminação (sendo que já é discriminatório o próprio feriado) e não considerar para as outras tantas raças que formam esse país misturado que é o Brasil. Mas, claro, os negros foram escravizados, chicoteados, assassinados, roubados, humilhados e merecem esse dia como homenagem. O que me dizem então dos índios? Por que o Dia do Índio não é feriado?

Hoje é “ponto facultativo” (feriado disfarçado) em São Paulo, a cidade com maior número de negros do Brasil. Em Salvador, a cidade com a maior percentagem da população negra, a “Roma Negra” como dizem, não é. Lá é “dia de branco” (piada infame, que deve ter origem discriminatória). E depois baiano é preguiçoso. Sei.

O que eu quero dizer com isso tudo é o seguinte: sou totalmente à favor de termos dias comemorativos, de lamentação ou homenagem para raças, eventos, temas, pessoas, mas sou totalmente contra esses dias serem motivo para não se trabalhar. Nós temos muitos feriados e todos são desvirtuados, pouca gente leva realmente à sério o motivo do dia e quer saber apenas que “não tem trabalho” (nem no Dia do Trabalho, pois então). Se esses dias deixarem de ser “dia de folga”, as pessoas, aquelas que realmente se importam com o tema homenageado, continuarão fazendo seus eventos, passeatas, exposições, e os simpatizantes continuarão frequentando-os. Nenhuma diferença fará para o motivo do dia, mas fará uma diferença absurda para o desenvolvimento do país.

O que você acha?

  • Comentários
  • Links Externos

6 Reações |  Comentar |  TrackBack |  Acompanhe via RSS

  • Comentários
  • Também sou contra. Meus motivos? Os mesmos do Netto.

    Felipe comentou em

  • Meu caro Manoel,

    Tenho uma opinião diferente da sua sobre o feriado da consciência negra: sou a favor. E também trago uma reflexão. Vou partir da sua premissa de que feriados têm o intuito de “lembrar, comemorar, lamentar ou homenagear um evento, uma pessoa, um grupo, uma classe”.

    No natal, a tradição é celebrar com a família o nascimento do menino Jesus, certo? Mas porque é feriado? O que torna esta data mais digna do que outras, para ser congratulada como feriado nacional?

    É justo, por exemplo, os judeus folgarem no natal (25/12) e os católicos não folgarem no Yom Kippur (dia do perdão, 08-09/10)? Quero deixar claro aqui que não sou judeu nem defendendo nenhuma religião, embora minha família seja católica e eu tenha sido batizado ainda criança.

    Na minha opinião, não existem verdades absolutas e religião é questão cultural. E mais: todas estão (ou deveriam estar) em pé de igualdade.

    Não que no Brasil os católicos sejam mais importantes que judeus, hindus, messiânicos, etc, etc, etc. O fato é que nossa sociedade ainda é majoritariamente cristã e que a Igreja Católica exerce forte influência social, cultural (e mesmo econômica) no Ocidente há pelo menos 2 mil anos.

    Assim como religião, a dita “consciência negra” é uma questão absolutamente cultural. O fato de 20/11 ter sido alçada à categoria de feriado apenas reflete sua crescente importância em nossa sociedade.

    Tenho certeza de que a maioria das pessoas aproveitou o ponto facultativo “para descansar, ir à praia, ao cinema, coçar”. Tal qual o natal.

    Aquele abraço,

    Celso

    Celso Monteiro (do Sonico, lembra?) comentou em

  • Olá Celso, lembro sim, tudo bem?

    Respeito sua opinião e acredito que comentários discordantes são mais ricos para a discussão.

    Eu não sou contra dias comemorativos. Sou contra essa mania de brasileiro em criar feriados, dias sem trabalho, sob qualquer pretexto, seja ele mais ou menos justificável. Não questionei a data do natal porque é algo mundial. Em todo país que reconhece o cristianismo, o natal é feriado. Até mesmo nos países que não “gostam” de feriados.

    O Dia da Consciência Negra, como expressei no texto, é tão importante quanto o Dia do Índio, já o segundo não é feriado. Também não há dias comemorativos para as outras raças que compõem o nosso povo. E isso, em minha opinião, é racismo, discriminação. Os índios sofreram tanto quantos os negros, o país também tem uma “dívida social” com esses povos, que foram tão violentados que até mesmo sua cultura sumiu dentro da mistura, algo que não aconteceu com a cultura africana, que popula várias partes do Brasil e é facilmente reconhecida e rotulada como Cultura Negra (assim, em maiúsculas).

    Devemos comemorar, exaltar e lamentar as violências cometidas por e com todas as raças, classes, religiões. Um dia de lembrança é o mínimo que se pode fazer. Mas discordo da folga trabalhista. Em todas elas.

    Grande abraço e obrigado pelo seu comentário.

    Manoel Netto comentou em

  • Olá meus Caros, eu respeito plenamente a opinião dos dois, mas o que vejo hoje em dia tanto no natal quanto no dia das mães e todos esses feriados é que viraram datas comerciais, não há mas aquela magia de antes onde se comemorava de fato, pegamos o mal habito de querer comemorar tudo e sem saber de fato se faz sentido, fim de semana prolongado, sexta enforcada… quanto prejuizo né? Gastamos pelo simples prazer de gastar e depois um sufoco pra cobrir o cheque especial fala sério hein, Cesar já dizia dai ao povo pão e circo, é assim que nossos governantes pensan, vamos reavaliar o que de fato é importante o feriadão, o negro, o indio, o branco, os judeus, os catolicos, os islamicos ou o que?? Somos todos iguais independente de onde tenhamos nascido ou religião que somos inceridos, acho que o maior preconceito é criar esses rascimos disfarçados, é nos iludirmos com a falsa ilusão de que esta tudo bem pois o feriado vem ai e vamos viajar ebaa…o que quero dizer com tudo isso? eles estão lá com pantones de ouro, dinheiro na cueca mais uma vez e tantas outras que não sabemos, valério duto, filme propaganda politica, e o que mais mesmo?? é tanta que até esquecemos né, pois é eles sabem que esquecemos e continuam uma historia sem fim… lembram desse filme? onde o nada/ a escuridãio consome tudo, isso mesmo eles são o nada e nos somos o tudo…uma abraço a todos.

    Xavier comentou em

  • Olá, bom não posso concordar de forma alguma com seu texto, pois há muito mais coisas além das citadas, creio que há o mérito do povo negro, assim também como a lembrança de um herói que foi Zumbi dos Palmares, que nos remete ao Quilombo dos Palmares, um dos poucos redutos onde os negros resistiram e lutaram por sua liberdade. resumidamente há vários símbolos ligados a data da consciência negra, e por tudo isto que faz parte da nossa história devemos no mínimo respeito, e uma forma de o demonstrarmos é através de uma data comemorativa que pode ser o feriado.

    Rapha comentou em

    • Rapha,

      Como disse acima, eu sou a favor de datas comemorativas. O que sou contra é esse tanto de feriado (leia-se: dia de folga) sem justificativas. Qual a razão de folgar o trabalho? Comemorar o dia ninguém vai, ou vai? Qual a parcela da população brasileira que tira o dia da Consciência Negra para participar de eventos comemorativos ao dia? Quase ninguém, percentualmente falando.

      Folgar por folgar, é apenas mais uma justificativa do brasileiro para não produzir. E é por isso que o Brasil não vai pra frente ;-)

      Abraço

      Manoel Netto comentou em

  • Links externos
Comente esse artigo

ATENÇÃO! Os comentários nesse artigo servem para complementar o texto, concordando ou discordando, não refletindo porém a opinião do autor do site mas a de quem o escreveu. O autor se reserva o direito de apagar qualquer comentário ofensivo pessoal, a terceiros ou empresas, baseado em seu próprio julgamento. Caso alguém se sinta ofendido por algum comentário aqui presente, favor entrar em contato e terei o prazer de removê-lo.

 Não será publicado